Market Brief · QUARTERLY BRIEF

Tourism & Hospitality Brief

Portugal | Q1 2026

Portugal, 1.º trimestre de 2026: dormidas +1,4% e proveitos totais +5,9% em termos homólogos.

Trimestral · Edição histórica · Publicado a · Dados revistos · Paulo Braga, Hospitality Real Estate Advisor

Idioma PT

Edição histórica, publicada a 4 de setembro de 2026, com dados do período 1.º trimestre de 2026.

RESUMO EXECUTIVO

A viragem: os mercados externos à frente dos residentes

O alojamento turístico registou 5,8 milhões de hóspedes e 13,6 milhões de dormidas no trimestre, mais 1,6% e 1,4% do que um ano antes. O INE assinala que os resultados podem ter sido influenciados pela estrutura móvel do calendário, ou seja, pelo efeito associado ao período da Páscoa.

Os proveitos totais chegaram a 1008,3 milhões de euros (+5,9%) e os de aposento a 734,5 milhões (+5,3%), com o ADR em 93,8 euros (+3,1%) e o RevPAR em 41,5 euros (+1,5%). Os três meses não puxaram no mesmo sentido: as dormidas subiram 2,0% em janeiro, 0,7% em fevereiro e 1,1% em março.

É o valor, e não o volume, que explica a receita adicional.

Conclusão executiva

Os proveitos totais aumentaram 5,9% com as dormidas a crescerem 1,4%: quase toda a receita adicional veio do preço.

INDICADORES-CHAVE

Volume quase parado, receita a subir

HÓSPEDES

5,8 M

+1,6%homólogo

variação revista

DORMIDAS

13,6 M

+1,4%homólogo

valor e variação revistos

PROVEITOS TOTAIS

1008,3 M EUR

+5,9%homólogo

valor derivado dos acumulados do INE

PROVEITOS DE APOSENTO

734,5 M EUR

+5,3%homólogo

REVPAR

41,5 EUR

+1,5%homólogo

ADR

93,8 EUR

+3,1%homólogo

variação revista

Leitura: os proveitos totais cresceram 5,9% sobre dormidas +1,4%. A diferença está no preço. O ADR avançou 3,1%, enquanto o RevPAR ficou nos 1,5%, sinal de que a capacidade disponível não está a ser mais utilizada.

PROCURA

Canadá a acelerar, França a cair

DORMIDAS DE RESIDENTES

4,3 M

+1,3%homólogo

variação revista

DORMIDAS DE NÃO RESIDENTES

9,2 M

+1,5%homólogo

variação revista

As dormidas de não residentes atingiram 9,2 milhões (+1,5%) e as de residentes 4,3 milhões (+1,3%), com os mercados externos a representarem 68,0% do total. O INE assinala que a taxa de crescimento das dormidas dos não residentes superou a dos residentes, após 5 trimestres consecutivos em que a dos residentes foi superior, e que os mercados externos aceleram pelo segundo trimestre seguido. Entre os dez principais mercados emissores, o Canadá teve o maior aumento (+10,6%) e a França o maior decréscimo (-10,4%), acentuando a trajetória de queda dos últimos trimestres. Estados Unidos (+5,1%) e Alemanha (+5,0%) somaram procura; o Reino Unido ficou 1,1% abaixo do ano anterior.

Variação das dormidas por mercado emissor

% · 1.º trimestre de 2026, variação homóloga

Fonte: INE, Atividade Turística, 1.º trimestre de 2026.

REGIÕES

Norte e Alentejo à frente, Oeste e Vale do Tejo atrás

Variação das dormidas nas regiões destacadas pelo INE

% · 1.º trimestre de 2026, variação homóloga

Fonte: INE, Atividade Turística, 1.º trimestre de 2026.

Os maiores aumentos das dormidas ocorreram no Norte (+6,3%) e no Alentejo (+4,4%). Os maiores decréscimos registaram-se no Oeste e Vale do Tejo (-6,6%) e na Península de Setúbal (-4,2%). A dependência dos mercados externos foi mais elevada na RA Madeira (85,9% do total), seguida do Algarve (80,9%) e da Grande Lisboa (78,6%), o que separa dois grupos de ativos com riscos diferentes.

DESEMPENHO OPERACIONAL

Mais por quarto ocupado, não por quarto disponível

Portugal, estabelecimentos de alojamento turístico.

ADR

93,8 EUR

+3,1%homólogo

variação revista

REVPAR

41,5 EUR

+1,5%homólogo

PROVEITOS TOTAIS

1008,3 M EUR

+5,9%homólogo

valor derivado dos acumulados do INE

PROVEITOS DE APOSENTO

734,5 M EUR

+5,3%homólogo

O RevPAR fixou-se em 41,5 euros (+1,5%) e o ADR em 93,8 euros (+3,1%): o rendimento por quarto ocupado cresceu mais depressa do que o rendimento por quarto disponível. Os proveitos totais somaram 1008,3 milhões de euros (+5,9%) e os de aposento 734,5 milhões (+5,3%). O INE não publica taxas de ocupação trimestrais; nas divulgações mensais, a taxa líquida de ocupação-cama ficou abaixo do ano anterior em cada um dos três meses. O acréscimo de receita foi tarifa; a capacidade instalada não foi mais utilizada.

PERSPETIVA IMOBILIÁRIA

Tourism & Hospitality Real Estate Lens

Receita a subir sobre uma base de ocupação a descer

Facto

Dormidas +1,4%, proveitos totais +5,9%, ADR +3,1% e RevPAR +1,5%.

Interpretação

A distância entre o ADR e o RevPAR mede o que a ocupação retirou. O trimestre rendeu mais por quarto ocupado, mas não conseguiu encher mais quartos, e por segmentos o alojamento local perdeu 2,8% das dormidas enquanto a hotelaria ganhou 2,0%. O aumento dos proveitos só conta como melhoria de desempenho depois de descontada a ocupação perdida.

Implicação

O teste deste trimestre é a elasticidade do preço: até onde o ADR pode subir sem custo em noites vendidas. Vale rever a exposição ao alojamento local, aos ativos do Oeste e Vale do Tejo e aos que dependem do mercado francês, e comparar cada unidade com a média nacional antes de fixar tarifas para a época alta.

PERSPETIVA FUTURA

Três sinais a acompanhar no 2.º trimestre de 2026

  1. Se o efeito do calendário da Páscoa se inverte no trimestre seguinte.
  2. Se o mercado francês trava a descida e se o Canadá mantém a aceleração.
  3. Se o RevPAR se aproxima do ADR ou se a ocupação continua a ceder.

FONTES

Fonte primária

INE, Atividade Turística, 1.º trimestre de 2026, divulgada em 15 de maio de 2026.

Fontes complementares
  • INE, Atividade Turística, 2.º trimestre de 2026, divulgada em 14 de agosto de 2026. Variações homólogas revistas para o trimestre anterior.
  • INE, Atividade Turística - Estatísticas Rápidas, março de 2026, divulgadas em 30 de abril de 2026. Utilizada para os proveitos do trimestre.
Data de divulgação

Estado dos dados

Dados revistos

Notas

Níveis e variações homólogas da divulgação trimestral do INE de 15 de maio de 2026; variações homólogas revistas na divulgação de 14 de agosto de 2026. Os proveitos totais do trimestre são iguais ao acumulado janeiro-março publicado pelo INE em 30 de abril de 2026, uma vez que a divulgação trimestral de 15 de maio de 2026 imprime apenas um valor arredondado em mil milhões de euros. Os proveitos de aposento do trimestre são o valor exato em milhões de euros publicado pelo INE na divulgação trimestral de 15 de maio de 2026. O INE não publica taxas de ocupação trimestrais.