Market Brief · MONTHLY BRIEF

Tourism & Hospitality Brief

Portugal | Julho 2026

Procura resiliente, crescimento da receita e um mercado cada vez mais desigual entre regiões.

Mensal · Publicado a · Dados provisórios · Paulo Braga, Hospitality Real Estate Advisor

Idioma PT

RESUMO EXECUTIVO

Julho confirmou a resiliência da procura

O alojamento turístico registou 3,4 milhões de hóspedes e 9,6 milhões de dormidas. Os proveitos totais atingiram 923,7 milhões de euros e os proveitos de aposento 734,4 milhões de euros.

A procura interna voltou a ser o principal motor. As dormidas de residentes aumentaram 5,1%, enquanto as dormidas de não residentes cresceram 0,7%, regressando a terreno positivo após a redução de junho.

A leitura nacional permanece favorável, mas a dispersão regional e operacional exige uma análise ao nível do ativo, do mercado emissor e da microlocalização.

Conclusão executiva

Os proveitos cresceram acima das dormidas, apoiados pelo preço. A descida da ocupação e o desempenho mais fraco da Grande Lisboa mostram, contudo, que a evolução é cada vez mais seletiva por região e ativo.

INDICADORES-CHAVE

O preço sustentou o crescimento dos proveitos

HÓSPEDES

3,4 M

+1,0%homólogo

DORMIDAS

9,6 M

+2,1%homólogo

PROVEITOS TOTAIS

923,7 M EUR

+4,9%homólogo

ADR

154,9 EUR

+3,2%homólogo

REVPAR

104,3 EUR

+1,8%homólogo

TAXA LÍQUIDA DE OCUPAÇÃO-QUARTO

67,3%

-0,9 p.p.homólogo

Taxa líquida de ocupação-cama: 59,9%, -0,5 p.p.

Leitura: o crescimento dos proveitos continuou a superar o crescimento das dormidas. A taxa de ocupação recuou, indicando maior dependência do preço do que de uma utilização mais intensa da capacidade.

PROCURA

A procura interna liderou; a internacional recuperou modestamente

DORMIDAS DE RESIDENTES

3,1 M

+5,1%homólogo

DORMIDAS DE NÃO RESIDENTES

6,6 M

+0,7%homólogo

DEZ PRINCIPAIS MERCADOS

74,0%

quota das dormidas externas

O Reino Unido manteve a liderança, com 18,4% das dormidas de não residentes e um crescimento de 3,0%. A Polónia registou o maior aumento entre os dez principais mercados (+10,8%), enquanto França apresentou a maior quebra (-5,9%).

As dormidas do mercado emissor norte-americano diminuíram 3,1%, com impacto mais visível na Grande Lisboa e no Algarve.

Variação das dormidas por mercado emissor

% · Julho de 2026, variação homóloga

Fonte: INE, Atividade Turística - Estatísticas Rápidas, julho de 2026

REGIÕES

Alentejo e Norte lideraram o crescimento

Variação das dormidas por região

% · Julho de 2026, variação homóloga

Fonte: INE, Atividade Turística - Estatísticas Rápidas, julho de 2026

Algarve, Grande Lisboa e Norte concentraram 68,4% das dormidas nacionais. O Algarve liderou os proveitos totais e de aposento, com quotas próximas de 35%.

DESEMPENHO OPERACIONAL

A Grande Lisboa divergiu da média nacional

Grande Lisboa

DORMIDAS

+0,4%

Grande Lisboa

TAXA LÍQUIDA DE OCUPAÇÃO-QUARTO

74,1%

-4,3 p.p.homólogo

ADR

154,6 EUR

-2,0%homólogo

REVPAR

114,5 EUR

-7,3%homólogo

PROVEITOS TOTAIS

196,3 M EUR

-2,0%homólogo

Apesar do ligeiro crescimento das dormidas, a redução simultânea da ocupação, ADR, RevPAR e proveitos aponta para pressão operacional específica na região. A média nacional não representa de forma adequada esta realidade.

PERSPETIVA IMOBILIÁRIA

Tourism & Hospitality Real Estate Lens

Uma leitura positiva, mas seletiva

Facto

A procura e os proveitos nacionais permanecem resilientes, mas o crescimento não beneficia todos os mercados e ativos da mesma forma.

Interpretação

A análise regional e de microlocalização está a tornar-se mais relevante do que a média nacional. A divergência da Grande Lisboa demonstra que crescimento turístico e desempenho do ativo não são equivalentes.

Implicação

Para investidores e proprietários, a prioridade deve ser a qualidade da receita ao nível do ativo: composição dos mercados, poder de fixação de preços, eficiência operacional e capacidade de preservar a ocupação sem recorrer a descontos. A decisão de investimento deve, por isso, testar a origem da procura, a elasticidade do preço, a estrutura de custos e a capacidade de cada ativo capturar receita sustentável.

PERSPETIVA FUTURA

Três sinais a acompanhar em agosto

  1. Continuidade da recuperação da procura internacional.
  2. Evolução da ocupação face ao ADR.
  3. Estabilização - ou não - da Grande Lisboa.

FONTES

Fonte primária

INE, Atividade Turística - Estatísticas Rápidas, julho de 2026, divulgadas em 31 de agosto de 2026.

Fontes complementares
  • Turismo de Portugal / TravelBI, Turismo em Números - julho de 2026.
  • Estimativas do Banco de Portugal reproduzidas pelo TravelBI.
Data de divulgação

Estado dos dados

Dados provisórios

Notas

Estimativas rápidas do INE, sujeitas a revisão. Todas as variações são homólogas, exceto quando indicado. A ocupação-quarto é apresentada em valor líquido e a sua variação em pontos percentuais.